terça-feira, 31 de maio de 2011

Luz de Maio




as noivas no outro hemisfério se casam em maio por conta da primavera e pela conta feita para a espera do possível primeiro filho.
as noivas brasileiras de forma outra, se casam em maio por ser o mês da consagração religiosa de Maria mãe de Jesus.
os fotografos dizem ser maio o mês de melhor luz para fotos.
para românticos incuráveis o outono segue. aromas, brisa, vento, pôr do sol, nuvens....vermelhidão em alguns dias...


último dia da luz de maio.

sábado, 28 de maio de 2011

Roda de Sábado - Abdias & Gil Scott-Heron



Oprah Winfrey se despediu do seu público na última semana. Há 25 anos ela tem um programa na tv americana. Winfrey é uma das pessoas mais ricas do mundo. Parte do dinheiro, ela investe em programas de educação. Construiu uma escola na África do Sel só para meninas vítimas de estupro, crime da qual também foi vítima. Produz para cinema e tv e pode ser vista como atriz no filme de Steven Spielberg, A cor púrpura. Oprah tem agora uma emissora de tv, o OWN, com ligações com o grupo Discovery. Oprah é afro americana e Nei Lopes, escritor, compositor, em seu blog, Meu Lote, perguntou quando uma negra brasileira chegará neste patamar.
O racismo brasileiro, mais cruel que o americano, apesar dos pesares, dá menos chance para uma negra chegar onde Oprah chegou. O negro consciente brasileiro está entre duas correntes. A dos que velam suas ações racistas e a dos negros, mestiços que não se assumem e nem se educam para transformar o quadro em que se encontram, eles e outros de sua raça.Falta educação e vontade, preparo.
Abdias do Nascimento acreditava na conscientização. Fundou o importante grupo de teatro o TEN(Teatro Experimental do Negro), o MNU(Movimento Unificado do Negro), o Jornal Quilombo, foi Senador suplente de Darcy Ribeiro. É pela educação que se cria argumentos sólidos para posicionamentos e debates.Abdias achava que pela educação podia se reverter a imagem negativa de ignorância do negro brasileiro tão arraigada na sociedade brasileira.
Em o Grande Desafio(The Great Debaters), dirigido por Denzel Washington, vemos um grupo de estudantes negros americanos da Wiley College no Texas, debaterem em torneios de oratória, até conquistarem vitórias com escolas brancas, culminando com uma vitória histórica contra Harvard. A história real aconteceu nos anos 30 e a escola, negra, já estava sólida, firme. Só no ínicio do século 21 é que uma escola com um projeto educacional, voltado para o negro se instala no Brasil, oriundo do cursinho Educafro: surgiu a Zumbi dos Palmares,com o seu reitor, José Vicente, enfatizando, como o fez no início do ano letivo e na Aula Magna, que é a educação que trará a liberdade, quase abraçando uma idéia do pensador Francis Bacon que afirmou: "Saber é poder".
O caminho é árduo, díficil, já se passaram mais de 100 anos da libertação dos escravos e os avanços são ínfimos.
O racismo existe e é cruel. As chances são poucos e é preciso abrir portas, conquistar confianças. Às vezes queremos derrubar portas, agredir. Mas conquisar, estar ao lado e com, como dissemos, solidificação de argumentos, é mais saudável. Com educação, com classe, como teria feito Abdias do Nascimento.(1914-2011)





Gil Scott-Heron(1949-2011) o corte de cabelo black power dele nas fotos era imponente para mim. o penteado e o viço da pele se perderam. a verve não. foi preso, sumiu. escrevia poemas, livros, dirigia filmes , o escambau. escreveu com classe, raiva, sobre racismo, drogas, amor na vida do negro americano. em 2009 lançou o I´m new here, seu último trabalho. o ano passado viria ao Brasil. fui um dos primeiros da fila no Sesc Vila Mariana. cancelou de última hora. Morreu ontem de causas não revelada. A Revolução não será mais televisionada, nem cantada ao vivo. R.I.P Man!





sexta-feira, 27 de maio de 2011

Inventário

"[...]Eu vi o meu passado passar por mim.Cartas e fotografias gente que foi embora.[...]E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz.Querendo ver o mais distante e sem saber voar.Desprezando as asas que você me deu."
Herbert Vianna in Tendo a lua




envelope encontrado. (*)

dentro 1 postal com escrita na horizontal e bilhete complementar em folha de caderno universitário. escrito com esferográficas azul e vermelha.



o postal



P.


Riscos riscos riscos. As coisas mudam. Talvez sim, talvez não. O mundo talvez mude, desmorone ou acabe. Talvez acabe e me pegue cantando e dançando Rebel Rebel do David Bowie ou Easy to love do Leo Sayer no meu quarto. Riscos e mais riscos. Delírio + Delícia= perigo. Risco constatar, voce faz parte de mim(esferográfica vermelha) e não tenho onde guardar isso. Faz parte quando eu tomo o "Penha" em Santana e penso em você defronte ao Toledo Barbosa. Quando ando em vez de tomar o ônibus pela Maria Candida e passo pela banca do Gil e ele me cumprimenta, por já ter me visto lá, nos degraus da loja dele, lendo gibis com você. Ouvindo rádio e sabendo as novidades musicais antes de todos. Agora tem até fm. Mas continuo na Difusora e Excelsior. Quando mesmo tendo que acordar cedo, cismo de ver o último filme da Tv Globo, porque você falou que tem coisas boas. P. Poeta, se dê importância...Teus poemas estão no mural, eu me importo.(esferográfica vermelha). Aquela citação no convite da festa da Carmem(você vai?), combina com você. Mesmo que as coisas mudem, que o mundo mude, desmorone ou acabe.

beijim (esferográfica vermelha)



texto complementar

e mais ....a professora Marlene disse que aquela palavra
blue da letra da música da Crystal Gayle, significa, triste, melancólico...entendeu?

e mais....amanhã vou assistir uma aula no cursinho Etapa com minha prima.

e mais....será que a Dona Benê um dia me convida para uma tarde de café e bolinhos no apartamento da José Bernardo, como faz com "alguns" que lá vão?...Inveja...Inveja...vou começar, como você diz, a "catequização", vou entregar este postal para ela passar para você.


e mais....pede uma música na Difusora. você consegue. Pode ser este Beto Guedes que você jurou não ser cantor caipira.

Vergonha Vergonha!!!Notícia de última hora: Atenção - tropecei na porta de sua sala. Sua mãe viu, assim nunca serei convidada para o café com bolinhos. Vergonha!!!!!(esferográfica vermelha)







(*) publicado com autorização. E também Beijim.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pré Inventário


a mãe contou o fato assim: era intervalo. na sala de aula, ela, a lídia e a vera. o quarto personagem também feminino do fato é essa menina. ela chega e tropeça na porta. chama a atenção das três na sala. a mãe perguntou se ela estava bem. ela respondeu, sim. sorriram acenaram, ela se foi. fato quase esquecido e quase ao final do intervalo, a menina volta. chama a mãe na porta. o intervalo no fim, elas são engolidas pelos alunos que voltam para as salas. a menina entrega um envelope para a mãe. diz o nome do destinatário. a mãe ao ouvir o nome sente uma coisa no estômago. misto de alegria e tristeza. ela se dá conta do futuro, não o dela, daqueles que ela colocou no mundo. a menina pega o rosto da mãe e dá um beijo carinhoso. a mãe tem aquela sensação repetida. o futuro, os filhos. em meio aos alunos e com aquela nuvem de alegria e tristeza a mãe vê a menina voltar e dizer uma frase. ela só vai lembrar da palavra"especial".
a mãe contou esse fato no caminho de volta para casa depois da aula. o tempo inteiro ela pensava naquela sensação. falou de como se deve tratar as mulheres. falou em "filhas dos outros", falou da chico pontes até a josé bernardo pinto. e continuou falando pelo passeio do residencial e pelos lances de escada dos quatro andares. só então, em casa, entregou o envelope ao destinatário. a mãe pediu desculpa, a menina tinha falado uma última frase, da qual ela só lembrava da palavra, "especial".
a mãe, quando estão sózinhos, entre café e bolinhos, se lembra. e pergunta. nunca houve novidade depois daquilo. ela nem percebeu se a menina passou pela vida dela e ela nem se deu conta, como a frase dita por ela. mas quando lembra ela sente o futuro, o filho voltando para o ventre da vida. a mesma sensação daqueles dias. a mesma que sentiu dias atrás, ao ouvir uma novidade da menina da frase. mas ela só pediu uma coisa. "pergunta, o que ela me disse!"

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Outono/Inverno



ele lembra. o sabonete que ela usava tinha perfume de sândalus. quando eles saíam, ela colocava algumas gotas de almíscar. ela chamava de almíscar/sândalus.
a mistura ficou mais tempo do que ela na vida dele.e às vezes nos outonos e invernos ela parece ainda estar por aí.
a mistura dava um ar quente aos encontros. apesar do outono/inverno.
ele lembra. a textura dos casacos, das malhas, as camisas, vestidos e outras peças dos vestuário dela.
outono/inverno as cores, os odores mais nítidos. memórias olfativa/tátil, sinestesia, tinha aprendido na aula de figura de linguagem de língua portuguesa.
ele gostaria de ser como alguns animais. hibernar e só acordar na primavera.

domingo, 22 de maio de 2011

Humores

danilo gentilli o ano passado ao fazer humor com os negros usou como alusão o personagem king kong. os que reclamaram foram atacados. atacados pelo humorista, pelos colunistas, jornalistas e outros humoristas que disseram que os críticos tinham incorporado a cadeia daqueles do politicamente correto. gentilli não se desculpou e fez mais graça.
em rede social semana passada fez graça com alguns moradores do bairro de higienópolis, detalhando, os judeus. por conta da polêmica recusa de alguns moradores da aceitação de uma estação de metrô no bairro. desta vez ficou quase sózinho. e o humor dele não recebeu tantos vivas. desta vez, segundo por exemplo entre outros, marcelo coelho na folha, ele foi longe demais. e o humorista, covarde voltou atrás, nem fez mais graça. nem se tocou no politicamente correto.
e isso aí mossa...ops, moçada, quem tem, tem medo. e quem tem poder, e muito, se garante para quem não tem, continue com sua requisição de respeito abafada.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A última chance da semana

você já está preparado. o material quase todo guardado. só um caderno e uma caneta ainda sobre a carteira. mas assim que der o sinal e a professora se despedir, você sairá em desabalada carreira escada acima e irá se postar ao lado do bedel, por onde todo colégio passa. TODO, ela inclusa.

_Bateu o recorde hoje, hein? - seo romeu o bedel.

você não liga, ouvidos moucos. é o melhor lugar e o ângulo é bom por certos aspectos. a classe dela ainda não desceu, ela ainda não desceu. depois que acaba o programa do ferreira martins na bandeirantes, o toninho, irmão da alice que também fica na cantina, muda de estação, para a difusora.

é o hyldon tocando no rádio?

se ela descer com os colegas de classe ela talvez não cumprimente. se ela descer com aquelas três, as chances aumentam. se ela descer com a melhor amiga ou sózinha, é 100%. você sabe os mecanismos. ela tem te cumprimentado mais. você fica ao lado do bedel, o seo romeu, porque todos o cumprimentam . e sobra pra você.

_Ela hoje soltou o cabelo!- seo romeu o bedel.

é verdade, soltou os cabelos. e não colocou a camisa para dentro da saia. aquela saia curta. presta atenção na escada, seu ângulo é bom. se voce não arrumar alguma "atividade" pelos lados da Vila Paiva, sábado ou domingo, se você não arrumar algum para ficar enrolando na banca do gil para escolher um gibi, como desculpa, esperando que ela desembeste lá de cima para a rua aqui embaixo, só segunda, é a sua última chance da semana. fica mais próximo do seo romeu.

_Tchau seo romeu, bom final de semana. dá um beijo na dona maria. _ ela

o time joga onde domingo? tem bailinho? tem tarefa do quê? terei dinheiro para o cinema? presta atenção, não divaga. ela soltou o cabelo. ela mantém o olhar, abaixa um pouco a cabeça, vai sorrir...morde os lábios. se você não aparecer na missa das dez domingo na anunciação, só segunda.

_Tchau, pedro, bom final de semana!

é o hyldon no rádio?

o coração sabe. da ataliba leonel até o cruzamento com a cássio de almeida, nenhuma felicidade cabe inteirinha na maria candida.

Tchau Felicidade, até segunda!




quinta-feira, 19 de maio de 2011

Inventário



das Caixas de Pandora da atualidade



aí Pivete Neguinho caminha, por gostar de caminhar, olhando o horizonte do fim de tarde até o Terminal Princesa Isabel. e como nos velhos tempos pega o Vila Paiva 119p


ou

se embrenha com o povo na Estação São Bento do metrô até a Armênia


ou

na preparação da mudança de casa com cartas recebidas e as não mandadas caindo de dentro dos livros para encaixotar.


como naquele Folhas das folhas de relva de Walt Whitman, Ed. Brasiliense, trad. de Geir Campos,1983. onde um cartão postal com letra feminina e remetente conhecida marca a página do poema, Às vezes com a pessoa a quem amo, p.68. com palavras como, "me importo", "voce faz parte de mim", etc, etc....



o poema de Mr. Whitman




Às vezes com a pessoa a quem amo

fico cheia de raiva

por medo de só eu estar dando amor

sem ser retribuído

e agora eu penso que não pode haver amor

sem retribuição, que é paga certa

de uma forma ou de outra

(Amei certa pessoa ardentemente

e meu amor não foi correspondido,

mas foi daí que eu tirei estes cantos).



e vocês pensam que é só Pivete Neguinho né, que chafurda nas lembranças?





e sem querer levantar uma polêmica, que seria desastrosa para um filósofo e poeta brasileiro. muitas das palavras deste poema de Whalt Whitman e da tradução de Geir Campos, foram lançadas por este poeta e filósofo brasileiro de ponta, como trabalho seu no ano seguinte do lançamento da segunda edição do livro, sem citar Whitman ou Geir. só não coloco aqui e não digo o nome da figura, para não entrar em pendenga com gente de bem da intelligentsia brasileira. e porque também minha advogada gracinha, tetéia e guti-guti, não pode me ajudar agora. mas está tudo guardadinho para possíveis consultas.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Não estou só



Teca, aquela que me atura, não acha graça em certas coisas que assisto. E a crítica não recai só sobre mim, sobra para os outros homens também.
A avaliação desdenhosa dela sobre os homens vem diante de uma manifestação minha para alguma cena ou situação de algum filme, seriado ou artigos que leio.
As mais recentes foram para um filme italiano chamado "Uma lição de amor"(Scusa ma ti chiamo amore), meloso, bobinho, levezinho e sem pretensões, e também após eu dar risada de uma cena do seriado "Manual de Sobrevivência escolar do Ned".
No seriado o personagem principal Ned(Devon Herkheiser), apresenta as dicas de como se comportar na escola, professores, tarefas, amigos e até diante das pretendidas. A série mostra essa situação com graça, e pega menos pesado do que aquele tratado psicológico e sociológico que é o "Todo mundo odeia o Chris", que Teca acha triste.
Aqui Ned é coadjuvado em suas histórias por dois amigos, Jennifer "Moze"(Lindsey Shaw) e Simon "Cookie"(Danile Curtis Lee).
Teca, não viu a menor graça. "Vocês meninos acham graça de cada coisa", falou ela como se fosse a "Moze" do seriado, fazendo as mesmas caras.
Mas vendo uma entrevista do ex-vj Gastão Moreira e lendo um post no blog de André Forastieri, reparei que os da minha geração ou próxima, viveram e tiveram as mesmas reações, principalmente em relação ao aprofundamento do interesse por livros, quadrinhos, música, cinema e a vida na sequência.
O rádio estava sempre presente, a tv também, os amigos, a família, todos fazendo parte do aprendizado dessa inconstante jornada. Forastieri por sinal homenageia essa semana o seu ídolo, Fred Astaire, que faria aniversário essa semana e cita a Sessão da Tarde. Um prato cheio para aquela afirmação, "Vocês homens são todos iguais!".

e só para dar o serviço; "Manual de sobrevivência escolar do Ned" passava no começo da madrugada no canal Nicklodeon e estava sendo exibido na Band no começo da tarde depois do programa de esportes.

e para homenagear Fred Astaire, André Forastieri colocou esse vídeo.



ainda bem que não tem só um Pivete Neguinho no mundo

domingo, 8 de maio de 2011

Leitura de Domingo



em algum lugar aí atrás eu já escrevi, todo ano escolho um livro do Machado de Assis para leitura. há algum tempo descobri que o professor e teórico Roberto Schwarz, um dos maiores estudiosos da obra de Machado, também faz a mesma coisa.
as edições que tenho em casa são da Série Bom Livro da Editora Ática, aqueles com a capa pretinha e papel baratinho. me lembro até em que livraria comprei, a Siciliano que ficava, ainda fica? na rua Barão de Itapetininga. entrei lá e levei tudo que tinha de Machado de Assis da Série.
depois de saber que Woody Allen indicou o livro entre seus cinco preferidos para o Jornal The Guardian, eu já sei qual será o desse ano.
e lerei a edição que tenho com essa capa acima, que me foi dado de presente pela Bia, minha sobrinha. presente escolhido por ela. e que vive me perguntando: "E aí Tio, gostou?, "E aí Tio já leu?", "E aí Tio o livro 'tá com aqueles outros? Onde?".
sendo que "aqueles outros" são os livros lá de casa. e ela quer ver, quando vai em casa, em que lugar que ele ficou. está bem guardadinho.


e o primeiro livro de Machado de Assis que li foi Helena. as palavras que eu não conhecia recorria ao dicionário lá de casa, a Dona Benê, minha mãe.

sábado, 7 de maio de 2011

Roda de Sábado - Dois Bairros

dois trabalhos delicados.

Marcelo Jeneci saiu de Guaianazes e Rodrigo Campos não cansa de citar os bairros periféricos da cidade em suas letras. O nome do disco dele: São Matheus não é um lugar assim tão longe.





sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cena 2

sala de aula. três personagens



ela esta com uma camiseta parecida com que a Karen usou para posar na capa de um disco dos Carpenters. O ano que vem ela não estará mais no colégio e eu ainda não sei porque ela me chama atenção, ela não é da minha classe, eu sei onde ela mora, vejo a casa dela no alto da Vila Paiva, dos campinhos do Carandiru, de algumas partes de Vila Guilherme. sei como ela prende o cabelo com elásticos num rabo de cavalo, deixando alguns fios soltos na nuca e uma mecha, que ela coloca atrás da orelha, quase num cacoete. ela anda sempre com outras três. os caras, maiores da classe dela quando conversam com ela parecem se sentirem cheios de si. ela olha nos olhos do interlocutor sempre e pende a cabeça quando vai sorrir, como a Karen Carpenter faz às vezes, como muitas mulheres fazem. os meninos da classe dela dizem que ela gosta de ler e de música. a professora de Educação Artística conversa muito com ela e com as amigas dela. eu já cantei uma música do Blue Magic na classe dela com ela me olhando e acompanhando. a saia do uniforme dela é bem curta. e os seios, talvez cresçam, a camisa branca e tranparente do uniforme revela o modelo do sutiã que ela usa. isso, pensei em algumas praias européias. às vezes sorri prá mim, me cumprimenta, principalmente quando está só com a alice, a melhor amiga dela. a professora de Educação Artistica escreveu uma peça para apresentação no colégio. ela escreveu um papel para mim. é por isso que eu estou aqui, diante da menina que me chama atenção e que também ganhou um papel na peça. ela é filha de uma família que quer apresentá-la para um rico comerciante, eu. os meninos não irão me deixar em paz até o fim da minha vida escolar. mas tem uma cena de dança com ela. a professora pediu que nós esperássemos um pouco mais e foi resolver alguma coisa, eu e ela estamos sózinhos, conversando e mexendo nos discos da professora. ela pergunta se não é melhor a gente ensaiar a dança enquanto a professora não volta, para ganhar tempo. ela coloca o disco dos Carpenters mesmo entre alguns ali. eu peço que ela abra os braços. ela acha estranho mas abre. eu espalmo minhas mãos nas dela. e faço ela me acompanhar no giro no meio da sala. encosto meu rosto no dela. ela afrouxa o corpo, larga uma das minhas mãos devagar e a coloca no meu ombro, a outra entrelaça minha mão.

_ você dança diferente, ela fala, é gostoso.

às vezes queremos que o tempo passe depressa. eu ainda quero ver barbarella com jane fonda no cinema quando fizer 18. quero ver a tão decantada cena da manteiga no filme de bertolucci. quero picar fora dali, quero conhecer gente diferente, gente que não se importe tanto com minhas desajeitadas no mundo. outros lugares. às vezes queremos que o tempo passe em câmera lenta para guardar cada momento. o sorriso, a mexida no cabelo, a mão no corpo magro. às vezes você quer que o tempo pare. para que pequenas vitórias se eternizem.

_ que bom vocês estão ensaiando, a professora voltou. mas a música não é essa!

ela se afasta um pouquinho.

_ ele dança gostoso. ela repete, quase prá ela mesma. ajeitando a mecha atrás da orelha.


ela está vermelha e ainda não largou minha mão?

_ hum, hum. faz a professora.e tem pelo menos uma pessoa aqui que precisa aprender sobre carisma.

você quer que o tempo pare. para comemorar a pequena vitória de um desajeitado.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cena 1

sala de aula.três personagens.



_ Eu gostaria de ensaiar mais um pouco vocês dois nesta cena da dança. vocês poderiam ficar um pouquinho mais?



Eles se entreolham.



Ela _ Podemos né?



Ele _ Podemos.



_ Que bom. Vou colocar a música de novo. Vamos lá!