sábado, 11 de junho de 2011

(Quase) Dez para ver abraçadinho


Ponte para Terabithia. não é a primeira vez que este vídeo aparece por aqui. o filme não é um filme de amor. é uma fantasia sobre a imaginação e a amizade. e se para montaigne a amizade é tão ou mais importante que o amor, o prato está servido.mas tem cenas que valem a pena. já disse o olhar de josh hutcherson e as provocações da personagem de anna sophie robb. e claro, ela, uma das musas desse blog. zooey deschanel. abre aqui as dicas. tem mais dela, lá embaixo.



ABC do amor(little Manhattan). josh hutcherson mais novo.ele tem 11 anos e tenta entender o amor que sente por rosemary telesco. aquelas sensações inexplicáveis.vendo o filme ao meu lado teca, aquela que me atura, rindo disse:"vocês meninos, tsk, tsk!". interessante é ele pedindo orientação para o pai, que devolve a bola: "você perguntou para o cara errado!". e tem elton john na trilha....



Stanley & Iris. Robert de Niro é analfabeto e cozinheiro de fábrica.Jane Fonda é viúva e trabalha na mesma fábrica. eles só se esbarram. mas por ser analfabeto ele é demitido na frente dela. ela toma as dores. ela resolve dar aulas para ele. lição disso, lição daquilo. os dois atores em forma. prá ver sem cansar.lição de vida.



O Feitiço de Àquila. "sempre juntos eternamente separados". uma maldição de um bispo enciumado separam etienne navarre e isabeau d'anjou. durante o dia navarre é um cavaleiro vagando com um falcão. a noite um lobo negro cuidado por uma linda mulher. o segredo deles será descoberto por um ladrão, que tentará ajudá-los a se livrarem da maldição. e tem michelle pfeiffer. aqui em casa, quando eu faço o festival michelle pfeiffer, costumam sair da sala quando ela aparece.ou perguntam;"com quantos anos ela está hoje?". hum...



Ensina-me a viver(Harold and Maude).daqueles filmes vistos na última sessão da globo nos 80. harold tem tendências suicidas. maude aos 75 quer viver. harold anda prá lá e prá cá dirigindo um carro funerário. se apaixonam. e a trilha toda é do cat stevens.outra lição de vida.



Nunca te vi sempre te amei.o amor aqui é diferente é pela palavra. cartas trocadas, livros. os personagens de certo modo apaixonados nunca se encontram. não canso de ver.



Dolls. o diretor takeshi kitano nos apresenta três histórias de amor não necessariamnete felizes. uma noiva que tenta suicídio. uma mulher que vai ao mesmo banco da praça por anos. e um cantora que se isola do mundo. baseado no teatro bunkaru japonês. sem muito diálogos. nem precisa. lindo, apesar.




Annie Hall(noivo neurótica, noiva nervosa). sempre tenho dúvida se gosto dele ou de sonhos de um sedutor(play it again sam), onde o personagem, abandonado pela mulher, se orienta para os novos encontros com as dicas, entre outras, do fantasma de humphrey bogart. mas annie hall também tem diane keaton. empate técnico.

a proxima dica vem em duas partes. mesmo porque a décima é outra história. vai depender, raros leitores de alguns fatores. vamos a dica 9a)


9 e meia semanas de amor.em plena era reagan um yuppie da bolsa americana, vivido por um mickey rourke com uma cara mais saudável, com seu amor obssessivo atraiu milhares de casais por várias semanas aos cinemas. e não teve namorado que não...e não tem namorada que mais relaxada não faça volteios com alguma peça do vestuário com a introdução de "you can leave your heat on" que deu um alento na carreira de joe cocker. a razão de ser a dica 9a) é que esse filme dá um climão. se você, raro leitor, ao colocar o filme para rodar e a princesa da sua vida, aquela que te atura, te olhar com aquele olhar que diz:"nem vem!". você muda rápido para a inocência da 9b) e não se fala mais naquilo. por enquanto....



A dama e o vagabundo. da disney. se entregue. frise o filme no começo. a àgua do macarrão na cozinha já deve estar no ponto, assim como o molho. se você não gostar de carne, coloque, pimentão, milho ou ervilha. ou coloque uma latinha de atum. pode ser um vinho barato. sirva o prato dela. ela vai de olhar diferente. talvez você se salve do inferno por ter pensando alguma coisa com a dica 9a).



500 dias com ela (500 days of summer). este vídeo também já apareceu por aqui. o aviso no início do filme:"Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência ... Especialmente você, Jenny Beckman ". o roteirista scott neustadter disse depois que se baseou numa história real. não, eu e o scott nunca conversamos ao final do expediente no bar do seu antônio. não ......., eu nunca contei nossa história para ele. mas parece que pensamentos são ondas mesmo. e toda vez que vejo, me vejo. a carapuça serve direitinho sem sobras. e tem uma trilha matadora. e tem a zooey. basta.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Inventário




Da Semana:Amor não é fácil de achar



Quando deixou de ser silencioso



um cavaleiro errando sem auto-estima, sem sancho



uma princesa colegial de dote prometido.



um arrremedo de gene kruppa reverberando seu coração



em latas velhas de leite ninho.



uma iluminada judy garland em vestidos e batas



envolta em nuvens de perfumes inebriantes.



um filme sem a trilha dos filmes da sessão da tarde.



uma deusa abrindo a caixa de sonhos



outrora silenciosa do pseudo poeta-herói craque de futebol de botão.



nem penélope nem shalla-ball



de nenhum ulisses nenhum surfista prateado.



uma dulcinéia trazendo o sol para a rua



trazendo a música para a praça



e abrindo os braços



para compor em bilhetes



caminhadas conversas



a história nova do cavaleiro errando contra seus moinhos



de éter e mais nada.






um novembro


quinta-feira, 9 de junho de 2011

Os Tres Mal -Amados


Da Semana:Amor não é fácil de achar


Os Três Mal-Amados

João Cabral de Melo Neto


Joaquim:

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.


As falas do personagem Joaquim foram extraídas da poesia
"Os Três Mal-Amados", constante do livro "João Cabral de Melo Neto - Obras Completas", Editora Nova Aguilar S.A. - Rio de Janeiro, 1994, pág.59.


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Abelardo & Heloisa


Da Semana: Amor não é fácil de achar








"Fujo para longe de ti,
evitando-te como a um inimigo,
mas incessantemente
te procuro em meu pensamento.
Trago tua imagem em minha memória
e assim me traio e contradigo,
eu te odeio, eu te amo.”

Carta de Abelardo a Heloísa.

“É certo que quanto maior é a
causa da dor, maior se faz
a necessidade de para ela
encontrar consolo, e este
ninguém pode me dar, além de ti.
Tu és a causa de minha pena,
e só tu podes me proporcionar conforto.
Só tu tens o poder de me entristecer,
de me fazer feliz ou trazer consolo.”

Carta de Heloísa a Abelardo

terça-feira, 7 de junho de 2011

Da Semana: Amor não é fácil de achar



Romeu & Julieta









até algum tempo atrás eu tinha uma mancha no ombro esquerdo. sei como a consegui e em que dia. foi jogando bola em um terreno baldio em londrina que chamávamos de "campinho do juarez". o terreno era do pai do juarez, e o time dele jogava ali.
a bola me foi passada. reparei no meu marcador mais forte do que eu. toquei a bola para que ela ganhasse uma certa velocidade fora do alcance dos pés do renato, meu marcador. era só enganá-lo num jogo de corpo e ficar livre com a bola à frente. a bola passou, eu não. o campinho do juarez era cercado por muros. fui imprensado e arrastado pelo corpanzil do renato num deles. parte da minha pele e sangue marcaram por anos, aquele muro. era um domingo.
e minha irmã, a rosa, me esperava em casa. ela tinha me convencido a acompanhá-la ao cinema. um tal de "romeu e julieta" estava em cartaz num cinema da cidade, depois de anos de atraso do seu lançamento chegava ao interior paranaense, ao cine vila rica.
com medo de alguma bronca. não mostrei meu ombro em carne viva e sangrando. tomei um banho rápido coloquei uma camisa, sem passar qualquer remédio. a ferida ardia. minha irmã reparou só no cinema o sangue na minha camisa. tirou um lenço da bolsa e tentou dar um jeito.
começa o filme. li o nome do bardo inglês literalmente no começo do filme. minha irmã me corrigiu. li o nome do diretor italiano e não entendi. o autor não era inglês? minha irmã me deu uma lição de inglês e falou do apóstrofe e do "s" ao final de algumas palavras em inglês. falou de adaptações de obras clássicas. afundei na cadeira. a ferida ardia.
o ator leonard whiting, que muitas meninas londrinenses tinham em poster nas paredes, apareceu na tela. suspiros numa sala recheada de mulheres. minha irmã também suspirou. a olivia hussey apareceu. me ajeitei na cadeira. minha irmã perguntou se estava doendo, eu respondi, não, agora não. apareceu a bunda do whiting, risinhos. minha irmã me fala que as amigas haviam lhe dito que tinha essa cena, da bunda do whiting. se eu tivesse essa informação antes...e a da olivia? minha irmã disse que não. a ferida doeu de novo. tudo isso acompanhado por uma música pegajosa feito chiclé e ferida ardendo.
a história vai...catarse final, quando os dois se desencontram nos planos deles. a moça à nossa frente tenta avisar romeu levantando da poltrona: "não faz isso, ela tá viva, nãão!!". e depois tenta de novo avisar julieta. minha irmã está pensativa ao meu lado. há outras feridas naquela sala. narizes fungam. as luzes da sala vão se acendendo. as pessoas demoram a se levantar. como é o nome mesmo? pergunto. wil-li-am, sha-kes--pea-re, minha irmã, brava. bom o cara hein?- cê acha? uma tragédia dessa!!, minha irmã, descontente como a maioria. pés se arrastam na saída da sala de cinema. minha ferida arde. a camisa está manchada de sangue, vou ter que avisar minha mãe. narizes ainda fungam. mas tive uma lição de inglês, outra sobre um autor que eu não conhecia e que o amor pode ser uma coisa complicada, cheio de feridas ardendo e marcando para sempre a nossa pele.


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Erasmo 70

a segunda é sempre mais reflexiva mesmo.

não saindo debaixo dos cobertores no domingo depois de telefonemas tristes, a pergunta dominical era sobre o sentido de tudo.
acordar levantar trabalhar blog estudar música futebol amigos família até.
e aquela velha pergunta tirada dos versos de vinícius de moraes:"se foi prá desfazer/por que é que fez?"

...vida que segue.


e o erasmo fez 70 também. merece parabéns.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Volta em torno de uma música

As melhores coisas do mundo é o terceiro filme da cineasta Lais Bodanski. Foi baseado em histórias de adolescentes do livro Mano de Gilberto Dimenstein.
A história tem dois enfoques, o familiar e a vida escolar de Mano, o personagem masculino prinicipal.
Não assisti no cinema, nem em dvd. A operadora de tv paga que assino ajuntando uns caraminguás mensais já o tem em sua programação. E quando estreia um filme na tv paga, ele estreia mesmo. Uma hora ou outra você assinante dá de cara com ele.
Dei de cara com o Melhores coisas do mundo numa dessas madrugadas sem sono. Caiu nas minhas graças. Até que o personagem Mano resolve ir aprender violão. Nunca vimos isso, um estudante que toque violão, até aí!!!. Então ele resolve, depois de algumas situações aprender a música Something dos Beatles para tocar para uma garota da escola, também nunca vimos isso e "perturba" o professor para que o ensine a música, nunca vimos também. Bem, na parte em que ele, Mano, vai tocar para a menina a música eu desisti do filme. Fui para a cama abraçar de conchinha aquela que me atura e fungar nas costas dela e molhá-la com algumas lágrimas. Só reparei que ela no sono dela tentava me consolar:"Êêê!!". É isso, não sei como acaba o filme. Mas se for como na vida real.....


primeiro: dá para entender o que pensa Sinatra sobre Something



aqui em cena do musical Across the universe(2007). em cena a atriz e tetéia, mulher de Marylyn Mason, Evan Rachel wood.





claro.Eles.