quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Lembranças de tardes quentes 2

A culpa foi da refilmagem Breathless. nós a assistimos no Cine Metrópole no centro da cidade. A trilha sonora me deixou elétrico. Richard Gere a deixou mais atenta ao filme. Ela perguntou se não tínhamos visto outro filme com ele, tínhamos. Eu avisei que aquela era uma versão de Jim McBride para o clássico de Jean Luc Godard, Acossado.
Em um fim de semana de verão, muito quente, o Cineclube do Bixiga programou alguns filmes do diretor francês. Ela me perguntou se Acossado estava no programa, estava. 
As sessões começavam à uma da tarde, nos encontramos  no metrô, tomamos chá para amenizar o calor. Andamos sob o sol.Entramos na sala para  primeira sessão e só saímos à noite. Assistimos, Acossado, Desprezo, A Chinesa e Salve-se quem puder - A Vida. Só saímos nos intervalos, água, banheiro, comentários breves, balas,chocolate.Saí falando e pensando em francês, uma maravilha e a amparando pelas calçadas da noite paulistana como Jean Paul Belmondo, que tinha virado meu ídolo, fazia com Jean Seberg.
Quando Je vous Salue Marie apareceu em cópias pirateadas em salas obscuras e em outra noite quente eu a vi na espera de uma das sessões já acompanhada do marido. Nos cumprimentamos. Vê-la me deixou  elétrico como RIchard Gere e a trilha de Breathless. Mas sem o punch e a graça de Michel Poiccard, o personagem de Belmondo em Acossado.










King Sunny Ade, numa trilha que ainda tinha The Pretenders, Jerry Lee Lewis, Link Wray, acompanhando a eletricidade imprimida por Richar Gere em Breathless.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Lembranças de tardes quentes



o SEO ANTÕNIO estendeu uma lona na garagem. instalou algumas lâmpadas. com outra extensão ligou a vitrola que carregou da sala com a ajuda dos meninos. meninos, éramos cinco. eu, BETO, MARCELO, GERSON e o JOSÉ que ia para o colégio de carona na RURAL WYLLIS do pai salpicada de barro vermelho e tinha me ensinado algumas músicas do WALDICK SORIANO. meninas eram sete, a filha do SEO ANTÕNIO a PATRÍCIA, a NORMA, ESTEFÂNIA, GLÓRIA, OLGA, TERESA CRISTINA e a DENISE. A DONA CELINA serviu sucos e lanches. só o dono da casa tomava cerveja e em pequenos goles nos introduziu na mistura de pinga e coca-cola. choveu passageiro naquela tarde em LONDRINA o suficiente para impregnar nossas narinas com o cheiro de terra molhada. quando o céu começou a se avermelhar e o arcebispo começava a AVE MARIA na RÁDIO ALVORADA o SEO ANTÕNIO colocou o primeiro disco e chamou a DONA CELINA para dançar e pediu que os meninos fizessem o mesmo com as meninas. ninguém ficou sem dançar, nós meninos dançamos até com a DONA CELINA. não percebemos o céu ficar estrelado sobre a lona da garagem. lá pelas tantas, eu que estava de férias na cidade e já me sentia um forasteiro paulistano fui embora no último ônibus para a casa da minha avó ROSA chafurdado de alegria, toques femininos, delicadezas, perfumes e sonhos.




quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Benditas Iluminações QUE VENHA !!

este disco caiu no pé no primeiro dia de ano, bons fluídos..








 E QUE AS COISAS BOAS SE REPITAM. C'MOM !!!

sábado, 1 de dezembro de 2012

Mexendo nos Vinis - Roberto Carlos





para

José Almeida Amaral JR.
Marcello Nunes
Maria da Paixão
Mário Luiz Brancia
Pedro Novaes da Silva (in memorium)
Rosa Maria de Carvalho Silva
e para um ano "que não foi bolinho"


como nos dizeres bíblicos; NAQUELES TEMPOS, eu peguei uma suspensão de três dias por ter realizado embaixadinhas com uma bolinha de papel e concluir com um sem pulo fazendo a bolinha roçar a barriga grávida da professora Rosana, que acreditava que eu tinha veia artística.

em casa, pelas ruas do bairro e arredores não me lembro de grandes dramas por aquela situação. em casa dava para ouvir no rádio o "Programa da tarde" do Ferreira Martins até o fim e o Roberto Carlos estava com disco novo. a crítica já tinha percebido desde o disco de 72 qual o caminho que o REI seguiria. e andava reticente com o trabalho dele. Ferreira Martins quase sempre terminava seu programa com uma música de Roberto, mas naquela tarde já avisava; "Tem disco novo do Roberto".

a primeira faixa do disco é uma regravação de "Quero que vá tudo para o inferno" com orquestra e um acento mais funkeado da Filadélfia, lembrando que parte do disco foi gravado nos EUA. as rádios escolheram "Além do horizonte" para seduzir os ouvintes. esperava-se pelo especial da tv, havia uma esperança que Tom Jobim aparecesse com Roberto. a Rádio Jovem Pan mandava para o ar uma gravação exclusiva de "Lígia" com Roberto e Tom Jobim, só piano e voz. não vingou.

Roberto apresentou dois temas em espanhol, "Inovidable" e "El humahuaqueño (Carnavalito) e mesmo aqui se percebe o caminho que Roberto pretende seguir. enquanto outros cantores da mpb estão se aproximando de autores latinos pela afeição política e engajamento, Roberto prefere os autores românticos, temas abolerados.

o disco apareceu em casa. tocou na vitrolinha à exaustão. como parte da crítica vi que Roberto estava se cercando de autores que o levava para outro caminho:  Carlos Colla, Isolda e até Benito di Paula. a parceria com Erasmo Carlos parecia mal resolvida. mas havia surpresas por garimpar. Roberto gravara um tema de Beto Ruschell e Cesar das Mercês  que trabalhavam com o grupo Terço.

eu ficaria por ali estudando a letra de "Desenhos na parede" se eu não tivesse ouvido a versão dele para "Mucuripe" de Belchior e Fagner, e não percebesse a leveza de versos como "Aquela estrela é dela/ vida vento vela, leva-me daqui" ou não tivesse deitado os ouvidos atentamente para o arranjo de OLHA que apareceria no especial dele arranjada por um instrumentista que mais tarde alguém lá em casa diria; "Esse negão é bom !", o instrumentista era Paulo Moura. e a letra de OLHA virou tema de uma trilha sonora particular de um roteiro que inventei para esquecer e lembrar de alguém para sempre no meu coração.

mexendo nos vinis, a capa do disco está esfacelada, mas o vinil ainda está intacto. "me traz meu passado e as lembranças, coisas que eu quis ser e não fui"



terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um compacto simples



ele confundia o bread com o américa. sabia que ela gostava dos dois. para firmar a amizade com o irmão dela apareceu numa tarde na casa dela para umas partidas de futebol de botão.ele a conhecia da banca de jornal do pai dele e foi ela quem abriu a porta para ele com sorrisos, abraços enquanto ele apertava contra o peito os times que tinha escolhido para aquela tarde. ela tinha atividades vespertinas, o clube, as amigas, aulas particulares de inglês. ficando na banca de jornal do pai ele ganhava algum  para cinema e guloseimas. ela tinha nome de princesa da família real luso-brasileira.o nome dele era o mesmo do pai e promessa de avó e mãe. ele queria ser engenheiro agrônomo ela queria ser arquiteta. os pais dela davam dinheiro para ele a levar ao cinema já que nem o irmão e a irmã se prontificavam para a tarefa. ela o apresentava assim para as amigas; ele é filho do "Seo Pedro" o pai dele tem banca de jornal. ele lembra que no dia de um dos aniversários dele, trabalhando na editora abril, disseram que tinha telefone para ele. ele sentia o cheiro de londrina pela voz dela, lembrou dos avós, tios e primos. ela tinha uma caixinha de compactos.ele ajuntou o troco do dinheiro dado pelo pai para  cinema e guloseimas. uma tarde em que as partidas de botão se arrastavam e ela voltou das aulas de inglês ao entrar no quarto todo feminino dela ela percebeu que a coleção de compactos tinha aumentado e chorou olhando o céu com nuvens vermelhas de londrina.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Jornal da Tarde Fim




31/10/2012 última edição nas bancas do Jornal da Tarde. Assim como o JB no Rio de Janeiro o JT para os íntimos inovou na forma gráfica, diagramação, textos, fotos e capas inesquecíveis motivo de interesse para o jornalismo de muitos pivetes e interessados. o mundo mais sem graça e OBRIGADO.

sábado, 27 de outubro de 2012