segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pitacos Esportivos


Se o seu time está na ponta da tabela,torça para que o mando de jogo dele não mude para o Mineirão.
O Cruzeiro domingo passado, entrou todo empolgado em campo. Torcida vibrando, jogo em cima do Fluminense, gols,dois, e uma virada espetacular do lanterna.
O Atlético Mineiro entrou todo empolgado. Torcida vibrando, jogo em cima do Flamengo. Aqui parênteses. Atlético Mineiro e Flamengo, tem históricos de bons jogos à partir dos anos 80. Mas vibração, sufoco atleticano e gols, dois...do Flamengo, mais um olímpico de Petkovic. 3 x 1 Flamengo e lá se foi a chance de liderar do Atlético Mineiro, o que poderia acontecer com a derrota palmeirense no Maracanã, meio "mandrake", mas derrota.
Blogueiro diletante, nem recorre a bola de cristal, porque o líder agora, é o time acostumado com a ponta da tabela e que saber ganhar jogos com inteligência. Talvez o Flamengo ainda dê uma à disputa. Ao Palmeiras resta reencontrar um pouquinho do futebol que o deixou 19 rodadas à frente dos adversários.

Calango VASCAÍNO
composição de um vascaíno, Martinho da Vila

domingo, 8 de novembro de 2009

O que bastava

Sade Adu
Alinhar ao centro
Me bastava ter sido o camareiro do hotel em Barcelona, onde ela se refugiou,dizem, esperando por alguém que nunca apareceu (N.R. Não é só em instituição universiotária,que sujeitinhos não se dão bem com mulheres). Criando à partir dali uma linha descendente,na vida e na carreira musical dela.
Como camareiro do andar,eu teria entrado pé ante pé,colocado a bandeja de chá numa mesa de canto,aberto um pouco as cortinas. Talvez até,com a permissão dela leria um trecho de T.S. Eliot.

O escuro escuro escuro. Todos mergulham no escuro,
Nos vazios espaços interestelares, no vazio que o
[ vazio inunda,
Capitães, banqueiros, eminentes homens de letras,
Generosos mecenas de arte, estadistas e
[ governantes,
Ilustres funcionários públicos, presidentes de vários
[ comitês,
Magnatas da indústria e pequenos empreiteiros, todos
[ mergulham no escuro,
E escuros o Sol e a Lua, o Almanaque de Gotha,
A Gazeta da Bolsa, o Anuário dos Diretores,
E frio o sentido e perdido o fundamento da ação,
E todos os seguimos no silente funeral,
Funeral de ninguém, pois a ninguém há que enterrar.
Eu disse à minh'alma, fica tranqüila, e deixa baixar o
[ escuro sobre ti,
Pois que aí tudo será treva divina. Como num teatro,
As luzes se apagam para a troca de cenários
Com um côncavo ribombo de asas, com um movimento de treva sobre treva,
E sabemos que as colinas e as árvores, o distante
[ panorama
E a soberba fachada altiva estão sendo arrastados
[ para longe
— Ou quando, no metrô, um trem se demora entre
[ duas estações
E as conversas se animam e lentamente no vazio
[ tombam
E vês por detrás de cada rosto aprofundar-se o vazio
[ mental
Que semeia apenas o crescente terror de nada haver
[ em que pensar;
Ou quando, sob o éter, o pensamento é consciente,
[ mas consciente de nada —
Eu disse à minh'alma, fica tranqüila, e espera sem
[ esperança
Pois a esperança seria esperar pelo equívoco; espera
[ sem amor
Pois o amor seria amar o equívoco; contudo ainda
[ há fé
Mas a fé, o amor e a esperança permanecem todos à
[ espera.
Espera sem pensar, pois que pronta não estás para
[ pensar:
Assim a treva em luz se tornará, e em dança há-de o
[ repouso se tornar.

Neste novembro, com o inferno astral fervendo e quicando na cabeça de neguinho babão, e tristes e equivocadas manifestações pelos trópicos, de ex- intelectuais, que já pediram para serem esquecidos, e outros que sequer deveriam ter sido alcunhados de, é prometida a volta dela em cd. Espero que ela tenha encontrado alguém bacanudo como Leroy Osbourne. Alguém que faça backing vocals swingados e a tire para dançar na vida.




quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Preparando 5.1

1 eu lembro da última pergunta do meu avô
2 eu lembro do iran jogando bola na rua andirá
3 eu lembro do dia em que vi marcello nunes pela primeira vez
4 eu lembro do dia que o adilson me presenteou com cds do paulinho da viola
5 eu lembro que roupa silvia higa vestiu num 15 de novembro dos anos 80
6 eu lembro da doris numa loja da vila madalena
7 eu lembro de caminhar, caminhar,pelo centro da cidade com o sidnei brito
8 eu lembro do dia que levei o jose antonio para ver uns filmes do julio bressane
9 eu lembro quando vi o zé,o irmão da teca,e o edmilson pela primeira vez
10 eu lembro de um sábado em macapá
11 eu lembro da letícia nas mesas da fau-usp
12 eu lembro do paulinho encharcado no pacaembu
13 eu lembro do miguel maia num show da rita lee no ibirapuera
14 eu lembro da vera regina num show do earth wind and fire no ibirapuera
15 eu lembro de uma carta que alcina campos me escreveu
16 eu lembro a primeira vez que vi luciana spegni,rindo,sorrindo
17 eu lembro quando o cardoso disse que o poema escrito às pressas era bom
18 eu lembro de um sábado que passei com marcelo monteiro de melo gravando nosso papo
19 eu lembro de um sábado que a dona odete nos levou à feira do verde de brasília
20 eu lembro quando o josé vieira descia as rampas da puc
21 eu lembro da kátia na faap
22 eu lembro de um 31 de dezembro que só tinha eu na sala de cinema
23 eu lembro de dançar com a erodíades numa festa não sei onde
24 eu lembro de denise e deise,duas gêmeas do primário
25 eu lembro de um gol do serginho,do são paulo no pacaembu
26 eu lembro de jogar bola numa praia do ceará
27 eu lembro do dia que vi romão robles olhando o crepúsculo no prédio da abril
28 eu lembro do desfile da chão de estrelas em londrina
29 eu lembro das conversas com daniel lescano
30 eu lembro da lúcia confirmando que meu poema,escrito às pressas,tinha algum valor
31 eu lembro da viagem com o emílio para o rio de janeiro,para ver o corinthians no maracanã
32 eu lembro da minha avó rosa perguntando se meu cabelo ia ficar grande para sempre
33 eu lembro de um show do djavan que fui com a soninha
34 eu lembro o camarão que fátima fez para mim
35 eu lembro do mauro falando do camisa de vênus
36 eu lembro das meninas do colégio mãe de Deus de Londrina
37 eu lembro do perfume de lúcia amélia
38 eu lembro quando marcilene falou de um cantor de nome, jorge vercilo
39 eu lembro das poucas mas, interessantes conversas com jefferson francisco
40 eu lembro da tãnia grávida do gabriel
41 eu lembro dos aniversários da família da teca
42 eu lembro do show do golpe de estado no centro cultural
43 eu lembro da cristina, então mastrocessário, andando pela rua maria candida
44 eu lembro do domingo que o zé,amaral falou da tânia
45 eu lembro solange
46 eu lembro ainah
47 eu lembro ayse
48 eu lembro amany
49 eu lembro ruy
50 fruto de uma benta pedra carvalho silva,de mesma cor rosa sérgio
51 eu lembro da teca falando.."Então tá...vou pensar "



uma música nada a ver.deu vontade de colá-la aqui. acho que fiquei saudosista. desculpem o excesso de sacarina

Um minuto de silêncio

Claude Lévi-Strauss
1908-2009
Houve um tempo que se dissecava uma letra de música. Tentava-se decifrar mensagens suspeitas contra a censura e o regime militar, mensagens a favor do demo, do partidão, teorias de conspirações, referências.
Debruçar sobre uma letra de música podia abrir um mundo novo, dependendo da curiosidade.
A música Retórica Sentimental é faixa do inspirado àlbum, Era uma vez, o homem e seu tempo, de Belchior, aquele ex-desaparecido.
A letra é uma alegoria quase antropofágica tropicalista. Passando o crivo por ela, pode-se deparar com Carmem Miranda,Os Namorados da Lua,Braguinha, Caetano Veloso,José de Alencar,o escritor, Gonçalves Dias, Rodgers e Hart, e ...Claude Lévi-Strauss.
Mesmo que o leitor da letra, esteja desorientado, ao se deparar com o verso; Diga lá, Tristes Trópicos !, há de perceber em algum lugar da sua alma, que ali, há uma alusão, para alguma coisa, que ele deva conhecer. Ou algo, que por alguma razão, faz parte, da história dele, do vizinho, de outro brasileiro. Um pouco mais de curiosidade e o curioso bate à porta do antropólogo, pelas mãos da canção popular brasileira.
Depois, para mais aprofundamentos, era perguntar para algum professor, algum colega mais inteligente, amigo. Ou então perder a vergonha, achar palavras e pernas, e perguntar para aquela menina com as melhores notas da classe, ou mesmo aquela outra, com notas não tão interessantes, elas geralmente tinham as respostas anotadas em algum caderno. Embora se quisesse, um desejo não manifesto, e politicamente incorreto hoje, que elas, as duas, num dia de ousadia, aparecessem pelos corredores da escola de vestido curto.
Mas aí teria que se entender aquele desejo suspeito e procurar mais referências, talvez em Freud, Gilberto Freyre, Darcy Ribeiro ou Roberto DaMatta e até, Lévi-Strauss.
Mas era outros tempos.Tempo de dissecações, de letras e vestidos curtos.


a letra de Retórica Sentimental

Moro num lugar comum, perto daqui, chamado Brasil.
Feito de três raças tristes, folhas verdes de tabaco
e o guaraná guarani.
Alegria, namorados, alegria de Ceci.
Manequins emocionadas:
- são touradas de Madrid
...que em matéria de palmeira ainda tem o buriti perdido.
Símbolo de nossa adolescência,
signo de nossa inocência índia, sangue tupi.
E por falar no sabiá, o poeta Gonçalves Dias é que sabia...
Sabe lá se não queria
uma Europa bananeira.
- Diga lá, tristes trópicos,
sabiá laranjeiras.
Aliás, meu camarada, o cantor popular falou divinamente:
Deus é uma coisa brasileira, nordestinamente paciente.
Oh! blood moon.

sábado, 31 de outubro de 2009

Outubro + Miltons

"Outros outubros virão/outras manhãs, plenas de sol e de luz/"
O que foi feito deverá - Milton Nascimento




Carlos Drummond de Andrade, que nasceu num 31 de outubro


O Que Foi Feito Deverá

Milton Nascimento

O que foi feito, amigo,
De tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida,
O que foi feito do amor
Quisera encontrar aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim sem saudade,
Falo assim por saber
Se muito vale o já feito,
Mas vale o que será
Mas vale o que será
E o que foi feito é preciso
Conhecer para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza,
Falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
Que nós iremos crescer
Nós iremos crescer,
Outros outubros virão
Outras manhãs, plenas de sol e de luz


E vem aí...Novembro !! Se,segura malandro !!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Duas medidas


Quando o Rio Taboão, na gestão de Marta Suplicy encheu, ela apareceu por lá. O rio inunda sempre mas, ela foi ironizada pelos jornalistas, por estar com roupas boas e um par de sapatos, caro. E ainda foi interpelada de forma até agressiva, na frente de todos, por uma moradora, que virou meio símbolo da "revolta da população".
Primo-irmão do Rio Cotia, o Rio Taboão, pois,encheu ontem também. Só que nem Prefeito, nem jornalistas, nem moradores revoltados, foram localizados ou vistos, ou ouvidos, nem uma brincadeirinha irônica sequer.
A ironia apareceu, meio sem graça, e sem muito aprofundamento jornalístico, na zona leste, na Mooca, onde um motoqueiro, não sabendo a profundidade do buraco à sua frente, se desequilibrou, e foi atropelado e morto por outro veículo. A Prefeitura, que segundo alguns moradores, já havia sido avisada, passou rapidinha pelo local, para um ajuste de gambiarra asfáltica, nem Prefeito, nem muitos jornalistas, nem "revolta" popular.
Lembrando que o Prefeito Kassab, é aquele que disse, que certos problemas, foram herdados do "antecessor", no que ele corrigiu depois,"antecessores". Então tá.

Enquanto isso, o "antecessor" de Kassab, assinava acordo para os professores estaduais, na parte da tarde, sem comentar, a aparição de livros didáticos, com os logos do governo estadual, ainda nos pacotes lacrados, em caçambas de lixos. Sem muito aprofundamento, sem perguntas, sem "revoltas". Até mesmo os telejornalismos sensacionalistas de fim de tarde, fizeram um malabarismo linguístico, antes de falarem o nome da Sabesp, aquela que tem que tomar conta dos Rios Cotia e Taboão, rios que inundaram ontem, sujaram casas na região, os sapatos de Martta Suplicy, quando ela apareceu por lá e a "imparcialidade" do jornalismo paulista e paulistano. E deve ter embaçado a "revolta popular".

domingo, 25 de outubro de 2009

Mexendo nos vinis




Meus pais a haviam contratado para ser minha professora particular. Ela também era minha professora regular. Começava todas as aulas sempre com uma leitura interessante. Uma poesia,uma letra de música, uma notícia de jornal. Era moderna para aquele tempo. Morava sózinha, falava palavrão, namorava sem querer casar, bebia cerveja, tudo que as moças "família" não faziam.
E tinha uns discos, dois, de um certo Milton Nascimento, a primeira pessoa que soube que os tinha.
As aulas eram no apartamento dela. Cada dia ela ia colocando uma faixa e pedia que eu prestasse atenção. Prestei, a capa era um desenho do Milton, que eu achei bonito e diferente. O disco abria com a faixa Para Lennon e McCartney, que me deu um certo arrepio, ela começa com uns acordes de piano elétrico e percussão, um riff de guitarra, a voz de Milton, entra, colocando a história para nós. Mais tarde num grupo literário que participei, um integrante do grupo, colocou abaixo de micróbio a letra da música, dizendo que Milton Nascimento não era tudo aquilo, e que Lennon merecia mais respeito, e que Milton não deveria dar conselhos a quem quer que fosse, me calei. A música já tinha anos, ele não sabia.
Outras faixas foram me ganhando, Maria três filhos, que eu achava que era em parte, minha mãe. A primeira, Clube da esquina e Durango Kid, que para mim, foi sinônimo, durante muito tempo, do que atribuiam à Milton de cantar letras difíceis. Informo aqui,que neste disco em questão, Milton está acompanhado o tempo todo pelo Som Imaginário, Zé Rodrix na guitarra, a guitarra em ParaLennon e McCartney é dele. Wagner Tiso, Tavito, Robertinho Silva e Fredera, além das participações de NanáVasconcelos,Lo Borges e Dory Caymmi, coisa fina.
Mexendo nos vinis, encontrei uma letra de um outro álbum do cantor, Outubro,que ela costumava recitar. Por que é outubro, e outubro é um dos meses que ela mais gosta, como coloquei num verso, que fala dela,Belinha.