Embora já tenha mostrado o contrário comigo, desde pequeno ouço o slogan, "Não deformam, nem soltam as tiras". Acreditei. Voltei para casa depois de uma caminhada sob mormaço sabatino, com as sandálias nas mãos e pisando o asfalto esfacelado paulistano e suas calçadas, cada uma com seu declive, desenho e material. "Satisfação garantida ou seu dinheiro de volta". Acreditei. Mas foi um começo de fim de semana de quebra de credibilidade. Se eu já não levava fé no slogan da sandália, outros slogans acabaram, por me deixar com uma sensação esquisita na boca do estômago. "De rabo preso com o leitor". Quem no final dos 70 começo dos 80 não acreditaria ? Quem não entrou nessa pendenga Folha x Estadão, embora,ler o Estadão de domingo e seu caderno cultural fosse obrigatório antes do advento Caderno 2 ? Acreditei. "Alfreeedoooooo". Alguém por favor nos salve ou nos explique. Quem não acha engraçadinho os slogans que a publicidade brasileira nos aborda, colocando-os no nosso inconsciente ? Acreditei.
Quem em sã consciência não assoviou, andando por um naco da orla marítima, com aquelas sandálias,aquele jornalão debaixo do braço,uma canção bossanovista, de um antigo compositor brasileiro. Acreditei.
Mas vou repensar. Meus próximos passos. Minhas próximas leituras e, minhas próximas "defecadas".
Rezam meus olhos quando contemplo a beleza A beleza é a sombra de Deus no mundo (Helena Kolody)
Criei um acervo de delicadezas. Está em algum ponto de minha memória.Recorro à ele, quando me encontro tristão, malzão, ou quando alguma grossura, só para ficar numa expressão suave, me é dirigida. Aí, vou ao meu acervo e pesco lá alguma situação onde me sinto tão bem, que só a lembrança dela ter existido em minha vida, já justifique eu ficar melhor, diante da situação negativa. Essa foto em p&b aí abaixo é um dos itens de minha memória ao qual recorro para me valorizar de vez em quando. E confesso não gosto nada de ser fotografado, devo ter sido convencido pela fotógrafa, com algum dos seus sorrisos de derrubar muralhas. Ela, a foto, quando a mostro para outros amigos é a síntese de minhas amizades ao longo da vida. Todos os amigos estão representados ali, amigos de A a Z. De Amaral à Zé Vieira. Zé Vieira, ele mesmo, que aí na foto postado ao meio, analisou, `a la Roland Barthes, o filósofo francês, que o punctum da foto é minha postura provocativa em direção à fotógrafa. Não deve ser. Embora a primeira vez que eu a tenha visto, a fotógrafa, houve um certo constrangimento de minha parte, só de minha parte reafirmo. Me senti como um dos retratados de Debret. Um negro em meio a realeza. Ao vê-la pensei: Eu muito black/ ela muito branca, um verso que seria modificado um tempo depois. Estávamos então, entre pratos azuis de merendas, pajens, e uma revoada de funcionários públicos, uma algazarra, que o sorriso matador dela, fez questão de confirmar, quebrando a formalidade das apresentações e determinando para mim definitivamente, que a beleza tem lá suas tristezas, apesar de fugirmos dela. E eu sem saber, que ali naquele momento estava ganhando mais um item para o meu acervo de delicadezas, item ao qual recorreria algumas vezes.
Pois não é só essa foto que minha memória pega na pasta da Tãnia, a fotógrafa e a mulher da foto abaixo, em algumas situações negativas para levantamento de moral, de tomar aquele sacolejo e pensar, "Peraí, se ela me colocou bacanudo na foto, alguma coisa há". Ou quando uma vez, saímos para almoçar. Ela, marido e eu. O marido então talvez mais faminto, naquele momento do que nós, começou a subir as escadas do restaurante, pulando os degraus, no que ela soltou um, "Esse seu amigo !!". Subimos as escadas devagar. E para lembrar, ela na ocasião carregava uma barriga, de sete ou oito meses, o lépido Gabriel. Chegamos ao alto da escada quase de mãos dadas. Eu muito black/Ela muito branca, olhares curiosos de soslaio sobre nós. Pedi perdão ao amigo, empertiguei o peito, e lá no fundinho do coração, soltei para mim. "Morram invejosos, vou atravessar o restaurante ao lado dessa mulher bonita, não se engasguem !!" E eu conheço alguns sorrisos matadores dela. Aí Tanitcha !!!!, e desculpas, roubei esta foto.
E Ella Fitzgerald está aqui por conta de um catálogo e ambientação inventada para as fotos de crepúsculos que Tãnia executou. O texto, um dos que mais me orgulho de ter escrito, se perdeu por ai, por conta do meu desleixo. E misturava as fotos dela, Tânia, com Ella, Blue Skyes era uma das músicas que coloquei na trilha da "exposição" inventada.
Por isso, desde já, neste fim de semana tem pajelança especial.
Tenho a impressão que bastava ter me matriculado num dos cursos do Senac Saúde, aquela unidade que fica na Avenida Tiradentes, no bairro da Ponte Pequena em São Paulo. Por conta de sua apresentação neste fim de semana na cidade, a cantora Joss Stone, fez umas pequenas exigências, por cantar sempre de pés descalços. Pedra-pomes, toalhas para os dedinhos e massageador elétrico. Me bastava ter sentado a bunda no curso de podólogo da unidade e seria, hoje um candidato, ao cargo de podólogo-chefe da turnê da moça. Com direito a mostrar à ela, que não tem sentido essa história de.... massageador elétrico.
e ela ainda canta, Put your hands on me.....
e tem quem ache que o melhor emprego do mundo é cuidar de uma ilha no Pacífico
"Naquele tempo eu gostava dos Beatles mas tinha uns nêgo véio que gostava muito mais sempre que podia ia ao campinho jogar meu futebolzinho aquelas coisas de rapaz"
eu achava que essa letra era de uma música do Luis Wagner, mas pesquisas dos últimos dias,me deixaram a ver navios,não sei nem o nome e nem quem a cantava. parte da letra aí está
Amany, Ruy, Ayse,Ainah e Solange
Tio Paulo
Tio Zeze, Tia Ignes
Dindara,Zé Antônio,Adunbi e Solange
músicas para sacolejo
e avós pai e mãe irmã tios tias primos primas amigos
A manchete do dia nos jornais franceses não poderia ser outra. Fazem alusão ao gol de Maradona na copa de 86. Criaram a versão francesa para a "Mano de Dios", "Le main de Dieu", sobre a jogada de Henry no gol que classificou a França para a Copa do ano que vem.
Depois de ler um e-mail de Zé Amaral, claro.
Pequena lição de futebol para Gabriel e Tomás
Futebol foi inventado pelos ingleses, aqueles empoladinhos. _ O que são empoladinhos ? Perguntem ao papai, se ele não souber, perguntem para a mamãe, ela sabe , e aí é outra lição, elas sempre sabem. Voltando, foco. Futebol, palavra inglesa, veio de football. Foot = pés, pé, e ball= bola. Só os goleiros podem pegar a bola com as mãos durante as pelejas. _ O que são pelejas ? Perguntem ao...vocês já sabem quem. Alguns esportes são jogados com as mãos. Basquete,vôlei, handbol, sacaram aqui, hand= mão, ball= bola, e boxe. As vezes as modalidades se fundem. Uns jogadores de futebol, pegam com a mão, quando não deviam, chutam outras balls e usam as mãos para "afastar" os companheiros, ou os adversários, gentilezas da contenda. Iiiii, contenda ? Mas continua sendo o famoso e glorioso, esporte bretão. _ O que são, contenda, e esporte bretão ? Bem.... vocês sabem.
Avec les pieds
Avec les mains
só para lembrar. o campeonato francês de futebol é um dos mais chatos que existem. e a seleção francesa, exceção um ou outro e com todo seu arregimentado de imigrantes e filhos de, joga um futebol tão chato quanto seu campeonato. os irlandeses,embora sejam reconhecidos por sua retranca secular, são mais divertidos, e mereciam melhor sorte.
40 anos - Milésimo gol de Pelé -Pour les petites enfants
Na confusão que se formou em torno da opinião de Caetano Veloso sobre Lula, uma outra, passou desapercebida. A opinião dele sobre Woody Allen. "É um careta, um cineasta pequeno" "Gay,maconha, rock, tudo isso é deprezado por ele" "sempre muito anti-sixties. muito hetero." "um tanto reacionário", são algumas das frases usadas pelo compositor para desfilar sua opinião. Pois à partir de hoje até o dia 13 de dezembro, já se sabe onde não se trombar com o "artista", "cineasta" e "pensador", Caê.O Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio e em São Paulo,exibem mais de 20 filmes do diretor, desde do começo de sua carreira. Filmes como, Bananas, O dorminhoco, Manhattan e Hannah e suas irmãs, entre outros, estão na programação Que se use essa mostra, quem ainda não o fez, para conhecer a obra do cineasta. E também para fugir de Caetano.
Estou preparando um texto da série Mexendo nos vinis, aqui desse blog. Provavelmente Betty Wright, o álbum, Betty Wright Live. Em meio a pesquisa, fui me lembrando de parte das letras da moça. Falando sobre as mulheres, orientando-as, consolando-as, contando suas histórias. Uma coisa leva a outra. Me encafifei com o posicionamento de algumas mulheres em relação à moça daUniban. E de Betty Wright, passando por Geisy Arruda, desemboquei em Angela Davis ,senão me engano, então militante do Grupo Panteras Negras, que lutava pelos direitos civis dos negros americanos, me lembro de uma foto de Angela Davis falando para um campus abarrotado, mesmo com o FBI em seu encalço. Na viagem do pensamento do texto que naquela altura estava perdendo força, me lembrei de um artigo que li num blog, sobre o crack e a mídia. O texto saiu nesse bom blog aqui: Abundacanalha.blogspot.com. Como ainda não sei abrir o link, colei o artigo na integra, o autor que me desculpe, esperando que vocês o visite se houver interesse.
O crack e a mídia
Nossos jornalões e as TVs descobriram que o crack tem culpados: é o governo Lula e os favelados. Se derrubar o Lula e tacar fogo nas favelas, tudo se resolve. É o que se conclui das recentes reportagens, e o que dizem alguns comentaristas nos portais de notícias. Em nenhuma matéria há um dedo sobre informações históricas sobre essa droga que efetivamente destrói em pouco tempo seus usuários, e que foi criada para acabar com o forte movimento dos Panteras Negras nos EUA, obra do próprio estado americano. Inventei? Teoria da conspiração? Não. Quem disse foi esta mesma mídia gorda em uma série de reportagens do San Jose Mercury News, assinadas pelo valoroso e premiado repórter Gary Webb, em 1996.
Webb seguiu os passos do caso Irã-Contras, um dos momentos em que, por um descuido, a cortina que encobre o sistema é levantada e podemos ver a fábrica de salsichas funcionando. Simplesmente o governo americano, via sua central de inteligência, vendia armas para seu inimigo aiatolá Komeini e arrumava mais um bom troco no mercado negro de drogas. Tudo para financiar os caros mercenários que combatiam a revolução sandinista. Uma revista em Beirute deu o flagra, espanou o mau cheiro e deu em uma longuíssima CPI no Congresso Americano.
O jornalista fez seu trabalho com competência. Seguiu passos de traficantes, deu nomes, mostrou rotas de tráfico que eram do conhecimento da CIA, e exibiu todo o cenário. Depois, a série foi transformada em livro: Dark Alliance: The CIA, the Contras, and the Crack Cocaine Explosion. Bastou para o mundo cair sobre sua cabeça. Foi acusado por todos os lados de usar falsas fontes, de manipular informações, sua vida virou um inferno. Perdeu o emprego e entrou em lista negra na mídia americana. Morreu em 2004. Segundo a polícia e a mídia, foi suicídio.
Claro, a nossa mídia aqui não lembrou do fato agora. É muito complexo entrar em um terreno tão polêmico. Imagina então pesquisar, que absurdo.
Ah, só um detalhe, certamente sem relevância jornalística: Gary Webb cometeu suicídio com dois tiros na cabeça.