terça-feira, 28 de junho de 2011

Aliiiceee!!!!



ouvindo com cuidado o àlbum Simon Werner a disparu, trilha composta pelo Sonic Youth.
e o disco de Thurston Moore, Demolition Thoughts.


me preparando para colocar aquela estamparia que bordo há anos
em fios de ouro
e exponho aos passantes
na sacada de minha memória em todo 4 de julho.
e percebendo o estrago que a beleza ainda faz no meu coração apertadinho.
e como a música me leva para recantos de minha memória.
quartos escuros, quartos claros mais iluminados.
dia claro com bandeirolas e céu azul.
me lembrando do colega maurício, andando por carandiru, vila paiva, vila guilherme, com duas letras de música nos bolsos, traduzidas por mim.
que ele queria entregar para uma garota chamada alice.
coisa que ele só fez de forma indireta.
deixando-as na caixa de correspondencia da casa dela lá na capitão luiz ramos.
alice que segundo ele, a menina mais bonita da escola.
voto que eu não acompanhava
mas com quem dancei algumas num bailinho.
e a dança mais improvável, uma música do yes.
e melhor amiga daquela que me chamava atenção.
é tanta memória que eu estou tentando achar um jeito de dar
um pouquinho para aquela senhora, que servia sopa antes do prato principal
de olhos miúdos e minha mãe adotiva.


ainda não inventaram borracha de apagar memória

sábado, 25 de junho de 2011

Roda de Sábado - Quadrilha


Quadrilha

Chico Buarque/Francis Hime

E neste ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E neste ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Não me leve a mal
Não me leve a mal

O forró corria manso, sem problema e sem vexame
Quando o chefe da quadrilha decretou changer de dame
A mulher do delegado rendeu o bacharel
O peão laçou a jovem filha do coronel
A Terezinha Crediário deu um passo com o vigário
A beata com o sacristão
Diz que a senhora do prefeito
Merecidamente eleito
Foi com o líder da oposição
Não tem nada não
Não tem nada não

Zé-com-fome deitou olho na patroa do ``seu'' Lima
Que não faz xodó na moça mas também não sai de cima
Juca largou a sanfona e, abandonando o salão
Foi prevaricar com a dona que vendia quentão
E foi doente com doutora, indigente e protetora
Foi aluna com professor
E o perigoso bandoleiro, Zé Durango ``El Justicero''
Fez beicinho pro promotor
Mas, faça o favor!
Mas, faça o favor!

O forró estereofônico estava mesmo um barato
Muita música na praça e muita dança lá no mato
Quem gozou da brincadeiram, muito bom, muito bem
Quem tomou chá de cadeira, só no ano que vem
Pois nesse ano, como todo ano, uma vez por ano
Tem quadrilha no arraial
E nesse ano, como sempre, salvo chuva e salvo engano
A satisfação é geral
Ninguém leva a mal
Ninguém leva a mal



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Baixo Barítono

o timbre grave da voz acompanhada de rouquidão veio cedo, antes dos outros garotos. claro mais um motivo para ficar silencioso.
na minha cabeça o motivo era o fato de que eu, durante um tempo, imitava apitos sem me incomodar com as cordas vocais sendo ferida do jeito que eram. e outra a mania de não aceitar àgua na temperatura natural, nem misturada, tinha que ser muita gelada.
as notas de algumas músicas nunca foram alcançadas com facilidade. e aquele incômodo.

de novo a música e o cinema e o rádio iam se encarregar de criar uma àrea de esperança na cabeça do pivete.

howard keel em "sete noivas para sete irmãos",

isaac hayes, hélio ribeiro, barry white, nilo amaro e winfred "blue" lovett, baixo do grupo de r&b The manhattans, foram alguns que criaram esse oásis.

e eu sei todo o recitativo winfred "blue" lovett lá minuto 2'19


ou noriel vilela



fui incorporando outros ao time, ike willis, sempre ao lado de frank zappa, leonard cohen e suprema felicidade, david bowie.
e o que dizer de serge gainsbourg, salvador da pátria total. feio e sempre bem acompanhado.


e começaram os elogios. em situações das mais interessantes...

e até hoje me lembro da sensação ao ver a partitura da linha do baixo nos corais dos quais participei. alguém precisava segurar as esgoeladas de sopranos e tenores.
mas também fui aceito rápido e vi os selecionadores vibrarem, faltava baixo barítono no mercado.
e claro adorei quando alcancei alguma notas mais baixas da linha dos tenores.
mas percebi mais ainda, que a vida em coro e fora dele, com os naipes ajustados, é bem melhor.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Benê 80

ainda continua estudando. fizemos juntos uma lição de inglês dela dia desses. quer trabalhar, quer ler um texto da lilia scharwz sobre as teses racistas vindas lá do século 19 para qualquer debate. mas agora ela anda meio rabugenta, coisa de "velho". não quer festa, comemoração, encontros. mas filho obedece mãe?
o texto abaixo de alguns anos atrás, é beijo e abraço nela.



É minha Mãe


Quando os filhos ainda eram pequenos, voltou aos estudos que tinha largado. Fez o antigo Madureza, muito parecido com o supletivo de hoje. Na mudança de Londrina para São Paulo se matriculou nos cursos regulares do Estado, sendo obrigada a usar uniformes, o que acatou sem constrangimento. Ganhou vaga numa instituição respeitada como a PUC-SP e, apesar das dificulddes concluiu o curso de Ciências Sociais. Parou? Não! O mestrado foi sua meta seguinte. Ainda quer trabalhar, colocar em prática seu aprendizado. Enquanto as oportunidades se apresentam de maneiras tímidas ou quase nenhuma, ela vai angariando simpatias pela sua força de vontade. Vontade mostrada onde muitos desistem. Acha tempo para aulas voluntárias em cursinhos populares e atualmente participa com pequenas pesquisas para a ONG Fala Preta!

Uma virada no tempo.

Meu irmão, caçula, o Ruy, recebe a bola pelo lado esquerdo da quadra. Sangue de boleiro nas veias, eu sei o que ele tem que fazer, ele também sabe. De olho no adversário, com a bola ao alcance do pé direito o oponente nem percebe a humilhação que sofrerá em milésimos de segundo. O lance seguinte é o adversário tendo a bola passando entre as pernas e a tentativa de agarrar meu irmão. Esdrúxulo. No chute a bola trisca a trave do time adversário, a jogada causa admiração na plateia presente na quadra. Com jeito de "eu já sabia!", olho o sujeito a meu lado e anuncio: "É o meu irmão!".

Hoje vou pegar o slogan que inventei quando via meu irmão mais novo jogar e vou olhar para vocês. E dizer que além dos fatos frios apresentados, ainda há a voz dela em algum canto da casa, a preparação de alguma iguaria caseira, as lições de piano e canto, o rádio ligado, a palavra que só ela sabia o significado, porque antes de ir ao dicionário, eu recorria a ela. Há ainda uma vida que se espreme no limite, para se manter digna. Vitórias esparsas? Não! Vitóris muitas da filha do Sr. Augusto e de Dona Maria, em algum lugar orgulhosos dela. Como orgulhosos muitos que a cercam e a merecem e a respeitam com sua presença e força. Como afimei, quem dribla bonito agora é ela. Eis. É minha mãe.

texto publicado no livro, São Sebastião e a Vila Guilherme, Memórias Paulistanas da Zona Norte, de Benedita Conceição de Carvalho Silva e José de Almeida Amaral Júnior, 2002


eu estava ouvindo a eldorado-am lá no fim dos 70. disco novo de caetano de antanho. a letra era a cara dela na minha vida. balancei. anos depois insisti para que ela a cantasse num evento em que a produzi. acompanhando a música pelo disco aprendeu a música e mandou ver.classuda.

sábado, 18 de junho de 2011

Roda de Sábado - Sonia & Oswaldo

zapeando por aí, pesquisando um assunto para um amigo acabei me deparando com sítio da jornalista Claudia Assef, o Todo mundo é DJ.
e de lá, claro, roubei na caruda estes dois vídeos.







e o Tadeu hein? sonorizou a festa de casamento do meu irmão Ruy com a Solange. tudo registrado pelas lentes do Romão Robles.

e a Luna? é por isso que eu às vezes acredito no ser humano. tem gente melhor chegando por aí.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Mexendo nos Vinis - Marvin Gaye

os canais de tv davam um descanso depois dos seus últimos programas. só voltavam no dia seguinte. muitos só no começo ou meio da tarde. não era como hoje programação 24 horas e profusão de canais.
para ajustes de equipamentos uma imagem frisada às vezes com o logo da emissora e a locução da programação do dia.
a globo tocava suas trilhas. às vezes uma rádio era sintonizada. e algum disco outro. o disco abaixo eu conheci esperando o início da programação da globo. não uma mas, várias vezes.



Marvin Gaye já tinha o controle de seu trabalho. Tinha colocado seus ùltimos trabalhos no topo das paradas. What´s going on, l want you e o disco de dueto com Diana Ross deram ao cantor poder de negociação e grana que nenhum artista negro tinha imaginado antes.
Mas nem tudo são flores. Durante o período de gravação do Let´s get it on, Marvin está se separando de Anna Gordy e se envolvendo com uma menor. Let´s get it on é um disco cheio de referências pessoais, nada político. As brigas com o pai, as crises existenciais.
Para alguns Let´s get it on é um panfleto à liberdade sexual e tocava inteiro na manhã da globo enquanto ela se preparava para sua programação.
Fugi de Let´s get it on, o hit do disco. Preferi, Come get to this, Distant Lover e outras. Só comprei o vinil anos depois com grana própria e levando o disco com cuidado para casa. Há memórias preciosas na audição dele.
Mexendo nos vinis, separando as tralhas, ele está lá novinho, novinho e carinhoso com minhas memórias.



e claro. iniciada a programação aí começava a festa


e ainda dava tempo do "para casa", jogar bola na rua, encontrar os amigos e olhar para aquela que nos chamava a atenção.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Avisem o Zé Vieira








o ccbb são paulo, de hoje até 24 de julho abrigará uma mostra dos filmes de alfred hitchcock.

o zé vieira, citado por aqui recentemente e eu, lá metade dos 80 do século passado, abandonávamos as aulas da puc, sem medir as consequências do nosso ato. desembocávamos no centro paulistano para acompanhar a chegada das cópias novas dos filmes do mestre do suspense, em exibição no cine metro, hoje um templo evangélico.
assistimos à todos. entre outros os famosos, "janela indiscreta", "um corpo que cai" e "festim diabólico" que revi dia desses.
o zé vieira é dono de um humor às vezes ácido. é cruel consigo mesmo. mas é de uma inteligência aguda e necessária em qualquer tempo. chorei com, por, para ele. ri, ri muito e gargalhei com ele.
depois dos filmes andávamos pelas ruas do centro, campos elíseos, bom retiro. ruas familiares ao zé. que nessas ocasiões evocava para si personagens de edgar allan poe, arthur conan doyle. ou citava os obscuros, os bluseiros.
por razões, algumas muito tristes, o zé sumiu no mundo nos alijando de sua presença. e-mails e telefones se mostram incompetentes para um contato com o cabra.

dessa mostra no ccbb devo assistir algum filme. devo comprar dois ingressos e reservar uma poltrona ao meu lado. vai que ele aparece para ver o filme ao meu lado e tomarmos um chá depois.




e se eu for falar das músicas que ele cantava subindo ou descendo as rampas da puc, hoje eu não vou terminar.