quarta-feira, 30 de maio de 2012





dormi bem. segunda vez nos últimos tempos pesados. a outra foi sob efeito de anestesia geral de um procedimento médico. fui para um lugar quem não sei o que era. a  palavra fé me apareceu nos últimos dias de várias maneiras, na oração particular de maria da paixão, na fala de uma atriz, num seriado, num programa de tv, na fala de um pastor e no comentário de um cientista. ontem no limite do sono, ouvi meu pai me chamando. sorriu para mim. dormi bem.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Bee Gees



Um garoto curioso do interior do Brasil tinha que ter o rádio como aliado. além do rádio, revistas, jornais, cinema, parentes próximos, pais, irmãos, primos. Mas o rádio com suas ondas era fundamental. Era ficar atento mesmo quando a mãe nos afazeres sintonizava aquela emissora de São Paulo a Bandeirantes e com aquele locutor da "voz grossa", o Hélio Ribeiro ao traduzir as últimas da parada, com aquela entrada que ele dava para algumas músicas; "Sabe...sabe quem ? Barry, Maurice e Robin Gibb, Bees Gees !" . Os outros garotos já estavam em outra sintonia mas tinha quem curioso, diversificava e abria o leque dos sons que apareciam.


 


 e este era um dos compactos na caixinha de compactos dela.

 e um amigo supra citado por aqui. tinha um caderno de cifras e violão e cantava em algumas tardes preguiçosas e prazerosas em torno do instrumento de seis cordas o falsete de robin gibb.

 

realmente 2012 não está bolinho. O Século XX se desfazendo diante dos nosso olhos.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sei que Jesus não castiga um poeta que erra



o sol do fim de tarde deixa as nuvens do céu vermelhas. deve ser também reflexo no céu da terra vermelha, terra que dá o apelido pejorativo que os do sul dão aos do norte e os do interior do estado; os pés vermelhos, que no sotaque de alguns, vira "pé vermeio".
às seis o arcebispo da cidade reza a ave maria na rádio alvorada. só em algumas ocasiões ela não o ouvia. quando estava em visita em casa de amigas, parentes,fora da cidade ou se ela ao se aproximar do rádio estivesse tocando cascatinha e inhana. aí ela cantava como se fosse uma oração, como se falasse com Deus.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Mexendo nos Vinis - Big Joe Turner






No momento daquela tarde de sexta em que devia estar desembarcando em Curitiba eu estava entrando no sebo no bairro de Pinheiros onde trabalhava o Vinícius.
Sempre simpático me recebeu com sorrisos,  abraços e discos que segundo ela eram imprescindíveis que eu os levasse para casa ou os ouvisse ali com ele. Então serviu cerveja no lugar do costumeiro vinho e cada disco era acompanhado de uma história. Ajuntou clientes como sempre Um deles  ele avisou que era especial e que eu não devia deixar de levar.Só consegui sair de lá ao fechar. Carregado de discos que não me lembro até hoje quais eram e menos aquele que ele indicara como especial e ainda fui avisado por ele; Pedrão você vai voltar para buscá-lo, Tonto e de carona com uma cliente que mais tarde pararia na minha frente em plena Avenida Paulista e me perguntaria; Se lembra de mim?. Em Curitiba minha imagem corria ralo abaixo. Mas  prometi no dia seguinte que na segunda estaria por lá. 
Hélio Ziskind e Geraldo Leite do paulistano Grupo O Rumo tinham um programa na Rádio Cultura FM aos domingos. Naquele domingo sob horário de verão e um dia longo fui ouvir o programa na casa do supra citado Zé Amaral, o nome do programa era Controle Remoto.
Lá pelas tantas Hélio e Geraldo selecionam uma música que se inicia sem locução alguma, eles só a explicariam ao final, uma música longa. Eu falei; nossa. O Zé  Amaral falou; nossa. Eu me arrepie. O Zé não sei.Decidi que no dia seguinte, segunda, eu voltaria ao sebo e perguntaria ao Vinicius se ele tinha ouvido falar daquele artista e que material ele tinha dele. E ele; Pedrão este disco que você está me falando é este aqui que você não quis levar e me mostrou de novo o disco: The trumpets Kings meet Joe Turner.
O disco é de 1974. Tem só quatro faixas, duas delas longuissimas; l know you love me baby e Tv mama. além delas as outras faixas são, Mornin', noon and night e Tain't nobody biznezz if i do. Turner está acompanhado de músicos que estavam naquele período trabalhando com ele, o guitarrista Pee Wee Crayto,  Jimmy Robins pianista, Chuck Norris baixista e Washington Rucker na bateria.
Em volta deles e de Turner os trompetistas com direito a solos preciosos Dizzy Gillepsie, Roy Eldridge, Harry "Sweets" Edison, e Clark Terry..
O disco tem aquela atmosfera de jam session com o blues na voz deTurner se confraternizando com o jazz nos acentos dos trompetistas.
Certo é que enquanto eu deveria estar cumprindo o prometido eu entrava em casa, tirava o disco do embrulho e colocava o disco para uma audição demorada.
Por um motivo grave e triste e trágico a razão para as idas para Curitiba não existe mais. O sebo em Pinheiros fechou, o Vinícius sumiu levando sua inteligência, cultura, graça e amor pela vida e respeito pelo outro. e  além de algum pó vieram também estas reminiscências quando resolvi ficar mexendo nos vinis.







terça-feira, 8 de maio de 2012

Inventário - Os livros de Carlos Dignez

O meu primeiro emprego  durava a madrugada toda. Os professores do glorioso E.E.S.G. Casimiro de Abreu a.k.a CECA do paulistano bairro de Vila Guilherme, me permitiam sair mais cedo. O Estado tinha abolido os uniformes e antes de pegar algum ônibus até o metrô no ponto da Maria Candida defronte ao bar onde uns anos depois eu, triste,  pediria uma cerveja de garrafa e veria Roberto Carlos e  Djavan dividirem o hit  A Ilha no especial do Rei, eu entregava meu guarda pó para o meu irmão caçula, o Ruy em outra classe. Eu tinha trocado o meu horário de estudo e só aparecia de manhã, depois de sair do trabalho por "exigência expressa" de duas pessoas.
Ele apareceu numa das madrugadas. Tinha desembarcado do Pará, Castanhal. Falava muito do pai, da mãe, da avó, dos amigos. Dos meus. Agitado, elétrico se auto proclamou mais tímido do que eu e só não ficava em silêncio por que senão o ambiente seria de um mutismo só. Pior, lia a alma e os gestos humanos como nenhum outro que eu tinha visto. Era parecido com o Lo Borges na capa do disco Via Lactea.
Um dia me viu escrevendo numa folha quis saber o que eu estava escrevendo, envergonhado disse que escrevia. E ele; também escrevo e passou a mostrar um produção enorme de textos. Eram textos que beiravam ao parnasianismo, barroco contra a minha economia de palavras e cenas. Enquanto minha escrita era de saudades de trens, terra, infãncia e de um vir a ser. A dele abria o peito para a abertura que o país vivia, ia a luta, brigava e amava e já estava longe no vir a ser. Nos familiariza com os poemas de Neruda, letras de  Gonzaguinha, Chico Buarque, Garcia Lorca.
Sedutor as mulheres começaram a aparecer em profusão nos textos. Sedutor foi despachado para longe de minha companhia nas madrugadas por inveja.
Fundou grupo de poesia, do qual só não participei por estar envolvido com outro. Editou jornais, produziu eventos culturais. Vivia intensamente a poesia que pregava.Quando publicou o primeiro livro me deu a honra de ver meu nome num livro e dividimos juntos um poema. Ele no estilo dele e eu ainda querendo ser letrista do Milton Nascimento. Sumiu nos vimos pouco desde então. Não sem antes de me deixar honrado por ter como epígrafe num dos livros um poema meu.Reapareceu em minha vida recentemente.
Daquele primeiro emprego carrego algumas lembranças e carinho fraternal por três pessoas. Nelson Brito, baixista do Golpe de Estado, Romão Robles Jr e ele Carlos Alberto que virou Dignez em homenagem a mãe.






o mais recente artigo dele no Jornal Cidade Aberta de Barretos.



sábado, 5 de maio de 2012

Roda de Sábado - Hoje na República

mccoy tyner

 


 ele com "joão contreras" e aí postando esta música me lembrei daquele senhor, o seo pedro, meu pai, que resolveu deixar -nos tristes e ouvir o joão em outro lugar.


 e + roy ayers

roy ayers é item que acompanha a formação musical de pivetes neguinhos



sexta-feira, 4 de maio de 2012

Inventário - surfista prateado

revista em quadrinho: surfista prateado
dentro de uma caixa entre outras revistas


só mais tarde ela contaria para ele. princesa colegial com dote prometido que para sair de casa ela dizia que estava indo até a casa de uma amiga ou até a casa da prima.
naquele sábado ele esperou por ela nos degraus da banca do gil na rua maria candida. viu um carro com uma noiva passando, um amigo, outro colega de outros tempos.
ela desceu do õnibus vila ede-carandiru da viação parada inglesa e veio pelo lado esquerdo. com uma blusa bordada no peito, calça jeans e aqueles perfumes misturados.
ela sentou do lado dele. olhou para dentro da loja e cumprimentou o gil. ela nunca tinha ouvido falar do surfista prateado. ele explicou para ele a saga. era dos primeiros gibis do surfista que ele via nas bancas brasileiras.
falou do amor de norrin radd por shalla ball e da vingança de galactus.
o gil deixou rádio ligado naquela emissora que a moçada começava a ouvir, a jovem pan fm, ele ainda gostava das emissoras am e ela o acompanhava neste gosto. . . e o sábado de casamentos na anunciação corria célere.
uma música chamou a atenção dela; você já ouviu essa?
ele lembrou-se destas coisas enquanto desempacotava a caixa de revistas em quadrinhos que ainda mantém em casa.e quando achou a revista do surfista prateado e a memória olfativa trouxe de novo, por que também é outono, a mistura de perfumes dela. e de quebra se lembrou da música no rádio da banca do gil.