quinta-feira, 17 de abril de 2008

Movimentos de estudantes

As paredes da FAAP eram insípidas. Sem grafismos, cartazes, limpa, limpa. O estudante de sotaque nordestino carregado, apareceu para falar de política, poucos ouviram. Viagens internacionais, compras, faziam mais parte do interesse da turma. O estudante com sotaque nordestino, falou com conhecimento, diante de algumas garotas, que tinham sido votadas pela revista Playboy, como as mais bonitas do mundo acadêmico paulistano. Terminada a explanação o estudante convidado seria lembrado só por aqueles que se interessaram por sua fala. Um mês depois estava eleito presidente da revivida UNE. Era Aldo Rebelo.
Quem atravessasse a rua diante da FAAP e pegasse o ônibus elétrico, Cardoso de Almeida, que passava em frente e fosse até o ponto final, no sentido bairro, ficaria à três quadras da PUC. Chegando pela Rua Monte Alegre, poderia se postar no mesmo lugar onde anos antes o Coronel Erasmo Dias estancou cavalos e soldados, encurralando os estudantes no teatro, que sofreria dois incêndios até hoje inexplicáveis.
Diante da PUC, o visitante, que veio do Pacaembu perceberia, que a distância não era só física mas, muito de ideológica poderia se perceber. Muros e paredes com cartazes e filipetas de shows, pichações e um fluxo mais soltos dos estudantes. Entrando pelo portão para descer a rampa, em direção ao prédio novo, o visitante veria à sua direita a sala do D.C.E. de Letras. Uma música sempre seria ouvida vinda lá de dentro, era um disco tocando ou alguém cantando ao violão. Nas paredes do D.C.E., pôsteres do último discurso de Charles Chaplin, Robert Plant ou letra inteira de uma música de Chico Buarque e Pablo Milanez, Cancion por la unidad latino americana e mais chamamentos para outros encontros com D.C.Es.Andando pelas rampas o visitante cruzaria com as meninas que a revista Playboy citava como as quartas mais do mundo acadêmico paulistano.
Os estudantes, anos mais tarde de Ulysses Guimarães pedir panelaço, chegavam à Avenida Paulista, de metrô, ônibus, carro, à pé. Parte da mídia e da oposição na época, disse que eles estavam de brincadeira, que pareciam ir à uma festa. Era uma manifestação sem consistência. A mídia elegeu entre eles, uma musa e um muso, o presidente da Une, que se sustentava depois de sair do limbo. Era Lindenbergh Faria.
Lúcia Kluck Stumpf, estuda em São Paulo na FMU. É presidente atual da Une. Foi à um programa de tv paga, pedir a manuntenção da meia entrada, que setores artísticos querem eliminar. Foi desencada pelos outros participantes, entre eles o cantor Lobão.
Acampados há duas semanas na reitoria da UNB,estudantes já conseguiram parte do que queriam, o afastamento do reitor Timothy Mullholand, agora querem direito ao voto para escolha dos próximos reitores.
Em São Paulo, terra da atual presidente da Une, a UNIFESP assiste manifestações de seus estudantes contra seu reitor, Ulysses Fagundes Neto, pego no rastilho dos cartões corporativos.
Nesses tempos em que a educação quase inexiste, e os campi de faculdades e universidades parecem mais shopping centers com suas franquias de alimentação e cosméticos, tirando a chance de uma salinha para um D.C.E. com seus pôsteres retrôs e estudantes com boa índole em busca de novas causas, as manifestações mais recentes, seja ela por que motivo for, é benvinda. E que não digam, que as grandes causas acabaram. Os seres humanos ainda esperam dias melhores.

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